Na faculdade aprendi que o utilizador é a principal razão da minha existência profissional. Sem ele eu não estaria aqui.
Nós, bibliotecários, somos a ponte entre o leitor e a informação.
Ah que coisa linda de se ser! Ei Acorda!
Neste momento estou sentada a um canto, a apontar nomes. Não me sinto ponte de nada.
Há leitores que passam aqui o dia inteiro, de cá pr'a lá e de lá p'ra cá. São aqueles que se descalçam como se esta fosse a sua casa. Sou obrigada a levar com uma grande poluição olfactiva e visual, já que ver os pêlos dos pés de desconhecidos é coisa que não me agrada por aí além.... Não menos desprazível é o cheiro entranhado a refogado de certos utilizadores, ao qual, ao fim e ao cabo, lá me vou habituando... depois de tanta convivência.
Nem tudo é mau. Às vezes sou acarinhada por um leitor que olha para mim, com aquele olhar de carneiro mal-morto e deita a língua de fora lambendo os seus lábios. Esse movimento sensual, geralmente de quem consegue ser mais asqueroso que o mais asqueroso do mundo, provoca em mim uma inevitável sensação de vómito.
Outros há que estão a frente do computador... a ver sites (cujo conteúdo não faço ideia de qual seja) que os incitam a meter a mão dentro das suas calças. Ou, se tiver sorte, é só dentro do nariz, voltando depois a mesma para o teclado... onde também eu tenho eu de ir escrever.
As meninas leitoras também dão o ar de sua graça, .... ou devo dizer, o ar das suas cuecas de fio dental, demasiado pequenas para tão real bunda; que eram brancas e agora estão encardidadas; que eram rendilhadas e agora são desfiadas. Também há as que choram compulsivamente em frente ao monitor, teclando com crescente raiva, limpando as mucosidades nasais à manga ... quebrando o som do silêncio com fungares constantes. Ou ainda as que, mal saídas dos cueiros, vagueiam de cá pr'a lá e de lá p'ra cá, a fazer olhinhos aos rapazes que estão sentados à espera que elas simplesmente os "deslarguem" e vão embora.
Enfim, é bom trabalhar aqui.
Deixo um pensamento profundo:
"O bibliotecário deve considerar o leitor como um inimigo, um vadio (senão estaria a trabalhar), um ladrão potencial."
Em A Biblioteca, de Umberto Eco.
As meninas leitoras também dão o ar de sua graça, .... ou devo dizer, o ar das suas cuecas de fio dental, demasiado pequenas para tão real bunda; que eram brancas e agora estão encardidadas; que eram rendilhadas e agora são desfiadas. Também há as que choram compulsivamente em frente ao monitor, teclando com crescente raiva, limpando as mucosidades nasais à manga ... quebrando o som do silêncio com fungares constantes. Ou ainda as que, mal saídas dos cueiros, vagueiam de cá pr'a lá e de lá p'ra cá, a fazer olhinhos aos rapazes que estão sentados à espera que elas simplesmente os "deslarguem" e vão embora.
Enfim, é bom trabalhar aqui.
Deixo um pensamento profundo:
"O bibliotecário deve considerar o leitor como um inimigo, um vadio (senão estaria a trabalhar), um ladrão potencial."
Em A Biblioteca, de Umberto Eco.
Leia mais sobre A Biblioteca em : http://obviousmag.org/archives/2006/10/a_biblioteca.html
4 comentários:
Muito poética e inspirada... lol
Beijinhos
Umberto Eco sempre escreveu muito bem...
lol
:-D
LOL
Ora nem mais!
Bjinhos
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