Mas às vezes, chego ao limite. Se calhar um limite egoísta, agora que penso nisso. Conto com tempo para mim, e perco a cabeça quando não o tenho.
Era domingo. A Inês acordou às 7 horas da manhã. O dia correu normalmente: brincou, passeou, comeu, tomou banho, etc. Sem dormir a sesta. Na hora de ir para a cama, às 21h, começou com birra. Não queria vestir o pijama, não queria acender a luz, não queria vestir as meias, e bateu-me. Não queria dormir. (acordada das 7h às 21h sem sesta).
Num esforço infortuito de a manter deitada, eu ameacei, eu avisei... e num eclipse de segundo, sem pensar, a minha mão voa na direção da sua carinha, com uma força não medida, demasiado forte.
Depois de chorar um pouco, ainda estando eu a olhar para a minha mão, incrédula, ela pede-me um beijinho e diz: "Xculpa mamã."
Adormece, finalmente.
Já lhe bati outras vezes, claro. Palmadas no cu, nas mãos... mas esta foi forte demais e na cara. Doeu-me muito.
Quando me deitei não consegui dormir. Só pensava na minha princesa, na maneira como adormeceu. Ela não merecia. Até se porta bem, não fez nenhuma asneira. Só não queria dormir, e eu só queria descansar um bocadinho. Egoísta é o que eu sou. Probrezinha, ainda me pediu um beijinho. Chorei. Queria abraçar a minha menina. Queria dizer-lhe que a amo muito. Queria pedir-lhe desculpa.
Não consegui dormir. Até à 1 da manhã, acordada.
No silêncio da noite, ouço uns passos. Pequeninos. Deus queira que seja a ninocas.
Lá vem ela, tico tico tico, passinhos pequenos trazem-na para a minha cama.
Abro os lençóis, agradecendo a Deus e acolhendo-a junto de mim.
- 'tava com xaudades tuas mamã.
- Anda filha. A mamã também estava a morrer de saudades. Gosto muito de ti não te esqueças.
- 'tá bem.
Depois de muitos beijinhos e carinhos trocados, adormecemos as duas.... finalmente.
Perdoa-me filha.