Tive dúvidas em optar por este título ou por: "Desejaram-se a morte, e eu gostei" (mas ou iriram pensar que sou maluca ou soaria muito a "Ikissed a girl and I liked it"). Mas passo a contar:
Um dia destes, estava eu, que nem uma escrava a trabalhar no café, quando vem uma senhora velhota de setentas e muitos anos, e começa a meter-se com a minha filha. Beijinhos para cá, corridas para lá, e vêm as lágrimas aos olhos da Senhora. Já a chorar tanto que não se consegue conter, olha-me bem nos olhos, quase me hipnotiza com o dedo apontado para mim. faz um breve silêncio... e diz:
- Desejo que vás antes da tua filha... nem que seja só por dois minutos, mas vai antes dela. Que nunca saibas o que é a dor de perder um filho.
Senti um arrepio na espinha, e também comecei a chorar. Ainda agora quando me lembro disto, sinto as lágrimas a quererem sair. Pois, a tal senhora casou aos 17 anos, teve o primeiro e único filho aos 18, e ficou viúva aos 23 anos. O filho matou-se quando tinha 37 deixando-lhe ao cuidado dois netos. Ela diz que já perdeu muita gente, irmão, mãe, pai, marido, mas é no filho que não pára de pensar "nem um minuto ele me sai da cabeça". E assim suspiro, e a vontade de ter outro filho esquecendo todas as condições de contexto aumenta cada vez mais.
A minha avó paterna, é outro exemplo. Perdeu uma filha quando ela era ainda bebé. Dizem que foi uma infecção no umbigo, ainda com o cordão umbilical, e morreu com 5 dias de vida. Já lá vão quase 60 anos, mas ela ainda hoje chora pela filha. A única recordação que tem dela é a foto, dentro de um caixão branco. Tem destaque na sala de estar.
Pois não. Não sei. Não quero saber.
Só sei que amo incondicionalmente a minha filha, e que sem ela eu não seria ninguém. Literalmente.










































