... não. Não o tenho. Tenho exactamente o oposto: o dom do silêncio, o dom de ficar calada!
Não haverá por acaso, aí alguém disponível para me dar um chuto no cú, para eu não ficar engasgada no momento certo em que devo dizer: NÃO! ??
Inspira, Expira!
Ok, começando o longo desabafo:
Há uns tempos atrás, numa reunião de condomínio, fiquei contente por encontrar um amigo que tinha andado na primária comigo. Depois de tantos anos descobrimos que vivemos no mesmo prédio, essa coincidência é ainda mais gira quando moramos a três concelhos de onde andámos na escola, e ainda mais gira quando.... nós éramos os "namorados" que iam e vinham juntos da escola, lanchávamos juntos etc..
Ora acontece que ele também tem uma filha, que também se chama Inês, que também é da idade da minha Inês e ele, tal como eu, também passa muito tempo em casa sozinho com a filha, enquanto os nossos cônjuges trabalham...
Pois todos os santos Sábados, lá me toca à campainha, com a desculpa de a Inês dele querer brincar com a minha, e ronhonhó pardais ao ninho. Achei muito engraçado nas primeiras vezes, confesso, mas depois cansa. Agora não é só ao Sábado, mas já passou a ser também ao Domingo. Uma vez pediu-me para tomar conta da sua filha enquanto ele acabava um relatório para o trabalho. Ok Aqui não há problema. Apesar da Inês dele ser terrível e fazer aquelas coisas que todos os miúdos fazem de só querer os brinquedos que a minha tem, e a minha desfaz-se em prantos como eu nunca vi.... eu lá fiquei com ela, nunca se sabe se um dia eu posso vir a precisar....
Mas agora pasmem-se sobre o que aconteceu neste Domingo.
Eram 5 horas da tarde, eu tinha tudo feitinho (tudo mesmo), e aproveitei para ir fazer a minha depilação às pernas que coitadas, já pareciam as da
Mo'nique.
Agarro na máquina e TZZZZZZZZZZ , uma perna já está. Agora creme.
Ding Dong. Toca a campainha da porta (não é a da porta do prédio).
- Oh que porra, não me digas que é a minha sogra!
Abro a porta e quase que desejei que fosse mesmo a minha sogra. Lá estava especado meu vizinho, mais a filha que entra logo a correr para dentro da casa para brincar com os brinquedos, e a minha Inês assustada agarra-se à minha perna (aquela que ainda não tinha a depilação feita)

Conclusão das conclusões, (não vale a pena dizer os detalhes porque já me estou a enervar só de escrever isto) trazia o belo do seu portátil ao ombro, para que enquanto as duas estavam, a 'brincar', enquanto eu tomava conta delas, ele pudesse acabar uma porcaria de um trabalho qualquer. Assim entrou para a minha sala, como se sentisse em casa, abancou na cadeira, abriu o seu portátil e aqui vai disto.
Agora pergunto, como posso eu dizer que não quero que ele venha cá mais vezes a casa sem ser mal educada??
Que não quero que ele "empurre" a filha dele para comer o jantar com a minha (sim, ele ficou lá até às 21horas, acreditem)
Eu costumo sempre dizer: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!! e só isto diz tudo.
Eu adoro receber visitas, adoro que a minha filha tenha com quem brincar, mas isto é demais! É invasão da propriedade alheia, à hora do banho da Inês, que não lhe dei, à hora da nossa refeição, que é sagrada, porque comemos as duas juntas, na cozinha, ela já come sozinha e eu como ao mesmo tempo.
Não posso fingir que não estou em casa porque a Inês corre logo para a porta a pensar que é o pai... Se digo que vou sair, nota-se depois que o carro não saiu do sítio, mas quero lá saber, é o que vou fazer das próximas vezes...pense ele o que pensar, e se perceber, melhor!
Tenho mesmo de mudar de casa... para uma qualquer, bem longe, quero lá saber!