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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Mudam-se os tempos, mudam-se os sentimentos?

Mudei muito desde que fui mãe. Nasceu em mim um sentimento, um amor, que não sabia que podia ser tão intenso. Acho até que essa intensidade foi roubada a outros sentimentos. Sou menos irritadiça, mais ponderante e calma. Menos preocupada com tudo o que não é importante.

Sempre fui uma pessoa tímida. Bastante mesmo. Para compreenderem, eu podia estar na paragem, e vir o autocarro... se ninguém mandasse parar, eu também não estendia o dedo.... Perdi muitos autocarros assim :( Houve até uma ocasião, em que me sentei do lado da janela. Depois uma pessoa sentou-se ao meu lado. E não é que o raio da pessoa não saiu antes da minha paragem, e eu para não ter de lhe pedir para me deixar passar, olha continuei! Amaldiçoei-a todo o caminho e a partir desse dia sentava-me sempre na coxia. Nas aulas, e já mesmo na faculdade, quando sabia a resposta sussurrava-a para as minhas amigas, mas nunca respondia alto. Parece que estou a ouvi-las: "Diz, parva!!!"

Sempre tentei passar o mais despercebida possível, ou como dizem os ingleses "Low Profile".
Hoje ainda luto um pouco contra este sentimento, já me consigo soltar mais, principalmente no que toca a crianças e à minha filha.

Outra das coisas que mudou em mim, é a maneira como vejo os crimes cometidos contra bebés e crianças no geral. Chego a sentir-me mal disposta, mudo de canal. Talvez se eu não vir a notícia, as coisas nunca tenham acontecido, e o mundo continua a ser cor-de-rosa?? No outro dia, um episódio de "Strong Medicine" contava a história de uma mãe que queria protagonismo e por isso sufocava a bebé, de maneira a ser heróica quando a salvasse. Eu tive de pegar na minha Inês. Abraçá-la, tentar mentalizar-me de que a posso proteger de tudo e de todos apenas com os meus braços e o meu amor. Comecei a chorar, nem sei bem porquê.
Já li blogs de mães que perderam os bebés. Hoje, compreendo melhor as suas dores,... Não as imagino, nem quero. Admiro essas mães. Mas custa-me muito ler sobre o assunto. Desisto dos blogs.

Alguém disse que o amor de mãe é um amor que magoa... e magoa mesmo.

10 comentários:

Mara_Q disse...

E está tudo dito... é um amor tão grande que chega a doer... só não podemos é deixar o medo levar a melhor se não nem desfrutamos o grande amor que se sente por um filho.
Beijocas grandes

Anónimo disse...

Vê o lado positivo da coisa... a tua filha fez e ti uma pessoa ainda melhor (mais atenta, mais participativa e mais preocupada). Hoje és uma pessoa mais completa.
:-)
marina

Vânia e Mariana disse...

As pessoas mudam muito com filhos!!!:) é verdaded...

jinhso,

Mamã Pirata disse...

A maternidade muda-nos á verdade.
Aprendemos a dar valor a coisas que dantes passavam ao lado.E temos mto medo que algo lhes aconteça.

...Mas tb n podemos viver numa redoma e fingir que o mundo "é belo".

Anónimo disse...

Olá querida mamã, concordo contigo relativamente ao amor que se sente por um filho: cresce a cada dia e cabe sempre dentro de nós. É o sentimento mais nobre, bonito e enternecedor, sem dúvida.
Beijinhos, Sofia,Pedro e Joana

Sofia disse...

Olha eu vou dizer uma coisa que te chocará, a ti e a muita gente, mas finalmente percebi aquelas mães que matam os bebés com "baby shake". Felizmente, nunca me deu para isso, mas olha que às vezes quando o Miguel berrava, não sei, eu até tinha medo de lhe pegar porque às vezes o embalo começava a ser mais "agitadito", LOL
Claro que tenho dificuldade em perceber certas coisas, mas tornei-me muito mais compreensiva quando vejo outras coisas que dantes abominava (como por exemplo bater em crianças). Sinceramente acho que uma pessoa em desespero nem pensa...Por isso não faço julgamentos. Acho que o remorso é o maior castigo que alguém pode sofrer.
Mas tu sempre foste uma relax e a tua Inês também é assim...therefore...
Mas que cada vez amas mais a tua filha, disso não tenho dúvidas.Olha eu e o meu fuinhas, ele é o puto mais fixe do mundo para mim e prefiro que ele seja eléctrico, quando ele está paradito preocupo-me logo ;)
Tenho a sensação que a sinceridade deste post vai-me custar caro, mas quem não me entender, azar!
Bjocas

pedradababy disse...

Alex, como eu te entendo. Quando tive a minha Gabi, dei por mim chei de medo, apavorada mesmo, a primeira vez que atravessei a ponte sobre o tejo de autocarro. Deu-me um medo irreal que a ponte fosse cair e eu não pudesse acompanhar o crescimento da minha menina. no entanto não consigo deixar de ficar solidária e acompanhar as mamãs que perderam seus bebés porque infelizmente é uma dor que é minha também porque tenho uma estrelinha no céu e sei o importante que é ter um obro, um apoio, alguém que me ouça, mas claro que só passando por isso é que somos obrigadas a lidar com esse acontecimento horrivel que também torna mais facil estar com outras mamãs, daí a importÂncia da associação artemis. Graças a Deus que nunca passaste por isso e a tua InÊs é uma benção na tua vida, e ainda bem que tens noção disso e o celebras todos os dias. Não deixo de estar de acordo com a Mamã Sofia, porque na minha Gabi sofri muitos dos nervos e ela era uma bebé demasiadamente activa e eu achava que com amor tudo se resolvia mas não, não é assim; além do mais era só eu, sem avós, tias ou seja lá o que for para apoiar. Por diversas vezes tive que a colocar na cama e contar até 10 e começar de novo. Já com a minha Lu, nunca me vi nesse estado à beira do descontrol. Outros tempos, outras idade e outros conhecimentos. Claro que não desculpa nem um pouco quem faz mal aos filhos, o importante é que a mãe que se sente assim, peça ajuda imediacta ao médico, o que infelizmente poucas fazem e deixam evoluir a situação para patamares horrendos que não consigo aceitar.
Bem, lá estou eu com os meus testamentos hahahahha
Beijo grande e continuação de muita felicidade para voçês. É lindo ver o teu amor

Silvia disse...

Os nossos filhos tornam-nos melhores. Tornamo-nos mais tolerantes e menos egoistas.
Também não tolero ver certas noticas. Não consigo entender como é que ha pessoas capazes de tanta barbaridade.
Bjaokas.

Gaiatas disse...

Acho que t0das nós mudamos dep0is de serm0s mães..

Mas a Inês faz de ti uma pess0a mais d0ce :)

beijOcas*

Anónimo disse...

Olá querida mamã, tens um miminho no meu blog, espero que gostes!
Beijinhos,Sofia,Pedro e Joana